segunda-feira, 25 de julho de 2011

Noites Cariocas


(UM CONTO QUE ESCREVI, COMENTEM O QUE ACHARAM) - LEIA COM OS OLHOS DA PSICOLOGIA, VERÁ QUE NÃO FUGI AO TEMA... rsrsrs

Noite quente, um calor insuportável, o bucólico ventilador mal da conta do suor que teima em escorrer pelo meu corpo. Vou até a sacada, sinto a brisa suave da noite bater em meu rosto, um arrepio percorre meu corpo resolvo sair, estava cansada de olhar a vida passar pela janela do apartamento, tenho certeza que a luz da lua acalmará meu corpo e minha alma.

Já na rua, percebo que não sou a única, muitos levados pelo calor saem pelas ruas, muitos se acomodam nas mesas de barzinhos, bebem cerveja, riem alto, outros namoram e trocam beijos apaixonados... Andei por ruas horas alegres, horas tristes, com boa iluminação para iluminar as ações dos justos, com pouca iluminação para esconder as más intenções.

Perdida em meus devaneios, nem percebo que me aventuro por uma viela, uma rua que eu nem sabia que existia; percebo que andam pessoas de caráter duvidoso, pessoas que a muito tempo já perderam a vontade de saber a que vieram ou para onde vão... Não que o lugar tivesse algo de mágico, mas escutei ao longe uma música que aguçou minha curiosidade, não era parecido com nada com o que eu estava acostumada, não era o samba dos velhos malandros, e sim um bolero cantado na voz chorosa de uma mulher.

Ao seguir o som, deparei-me com um boteco com ares de que algum dia já fora imponente, porém o tempo não havia sido justo nem com a pintura muito menos com o reboco da parede, que ameaçava cair com uma leve brisa. Ao reparar o movimento lá dentro, resolvi entrar, sem me preocupar com a segurança ou mesmo com o que iam falar de mim, caso algum conhecido me visse entrando ali; um ambiente tão suspeito, e tão pouco familiar.

Ao entrar sou tomada pela mais louca curiosidade, e analiso o local, percebi que aquele lugar tinha um cheiro inebriante de perfume barato, misturado a fumaça de cigarros, e o fedor de suor; penso que se o pecado tivesse um cheiro, com certeza seria esse o aroma que sentiríamos. Luto com a razão, que me manda ir embora, e com a curiosidade que me manda ficar, e no final é a curiosidade que me mantém fixa naquele lugar. Não sei o que é, se o ambiente e a meia luz, ou o som, que mesmo confuso para mim, envolve meu corpo em uma névoa de magia e sedução.

Olho para o balcão e vejo o rosto cansado de uma velha, muito maquiada e que pelos seus olhos percebo saber mais do que gostaria da vida. Logo acima dela identifico de onde vinha o bolero antigo, cheio de mel, dor e sofrimento, um rádio velho acomodado em uma prateleira teimava em tocar; a imagem de São Jorge ladeada por um terço já sem cor tem ao seu lado uma vela de sete dias acesa e um pequeno vaso de arruda, parecendo não combinar com a decoração inusitada do local, onde garrafas de cachaça, vinho barato, e outras bebidas, rodeados de copos semi-sujos dão o tom da decoração. Sou tirada de meu transe pelo som de pratos se quebrando, um palavrão, e a velha que a meu ver parecia de cera, levanta-se gritando chamando por alguém chamado Raul. Deduzo ser ali a cozinha.

Nesse momento passei a analisar as pessoas que me cercavam; algumas altas, outras baixas, algumas mulheres riam alto, outras nada falavam mas seus semblantes mostravam que já estavam cansadas de tudo aquilo, alguns homens jogavam sinuca, outros simplesmente bebiam e choravam, outros brigavam entre si, coisas que é difícil até para a nossa vã filosofia entender...
Volto minha atenção para um canto do bar, e vejo que alheios ao barulho um casal dança, o que chama minha atenção não é a dança sensual, ou mesmo as mãos que percorrem ambos os corpos, mas a distinção do casal...

Ele aparentava ser um homem rude, com uma camisa suada, calça surrada e suja, além das botas sujas de barro, seus braços fortes eram tatuados e as mãos que apalpavam o corpo esguio da mulher tinham as unhas sujas de graxa, que dava para ver de longe...

Já a mulher não, ela tinha o cabelo preso em um charmoso coque, que deixava sua nuca livre para os beijos daquele homem com a barba por fazer, ela usava saia, salto e meia calça negra, o que lhe dava um ar de mulher elegante, sua blusa branca parecia ser da mais pura seda. Tive a impressão que ela exalava um leve aroma de primavera, já ele a cachorro molhado.

Peguei-me em meio ao pensamento do que tinha levado aquela mulher até aquele lugar, pensei em amor, solidão, desejo, até o mesmo o calor...Mas em meu intimo eu tinha quase certeza que ela fora levada algum dia por curiosidade aquele lugar; quem sabe a mesma que me levara ali...

E com este pensamento saí dali, decidida e apressada para nunca mais voltar...

Conversando com Danuza


Outro dia, li um texto da Danuza Leão em que ela falava sobre reformas... Reforma da casa em si, mas sei que ela falava de reforma da alma, de reforma de atitudes, de reforma geral na vida e nas nossas ações...

Em um trecho ela diz: "a primeira parede derrubada é um sonho, de tão bom. Mas, ao abrir os armários, vê os cabides cobertos de poeira... Imagine os vestidos..." Agora imagine que cada vestido é um sentimento, alguns de tão velhos não nos servem mais, outros a gente usa de vez em quando, tem aqueles que a só usamos em dia de "festa", outros em velórios da alma, tem os longos, os curtos, os coloridos para alegras a vida, aqueles que usamos para tomar banho de chuva, e o clássico pretinho básico, e existem aqueles que a gente "veste" todos os dias..

Seja lá qual é o nosso "vestido" do dia, o que sei é que cada um é uma história, cada um nos torna o que somos, falo de vestido para mulheres, mas pode muito bem ser a camisa de um homem, pois todos nos precisamos e necessitamos de "obras" na alma, o que realmente importa é o que fica no final, como diria o refrão de um antigo samba: "levanta sacode a poeira e dá a volta por cima", mesmo que com respingos de tinta, arranhões no piso e objetos perdidos, e não se espante se "daqui a dois anos, abrindo uma revista de decoração, der vontade de começar tudo de novo. Seja corajosa e vá em frente, pois são as mudanças que fazem com que a vida seja sempre surpreendente."

(Texto referência: "Conversando com Danuza" :Revista Cláudia/ Maio - 2011)

sábado, 23 de julho de 2011

Uma reflexão sobre Édipo Rei


Quando me deparei pela primeira vez com a tragédia de Édipo, estava cursando Filosofia, não que não tivesse conhecimento da história, mas tive uma noção maior da complexidade das desventuras do homem que mata o próprio pai e se casa com a mãe...

Fugindo aos clichês, e pendendo para um lado mais psicanalítico, fica fácil entender o motivo que levou Sigmund Freud a escolher essa tragédia para dar nome e explicar uma de suas mais famosas teorias: O Complexo de Édipo.

No inicio da tragédia já fica claro que Édipo paga pelos erros de seu pai, tem uma história antes de Édipo, LAIO, e que conta o motivo da maldição que perseguiu seu filho,(http://pt.wikipedia.org/wiki/Laio),aos meus olhos tudo tem um "que" de efeito dominó, uns pagando pelos erros dos outros e assim a história se completa e como diria uma boa tragédia grega: o destino se cumpre.

Ao ler atentamente a tragédia, a sensação que tenho é que o destino de Édipo é como se fosse o inconsciente que busca uma forma louca de se expressar, seja atando o pai, seja casando com a mãe, ou mesmo resolvendo o enigma da esfinge.

Falando em esfinge, seu enigma nos remete a outra conclusão, a esfinge fala do homem, o mesmo homem que se descobre ao longo da tragédia, o mesmo homem que conhece um enigma que salva a vida de todos e não consegue salvar sua propria alma...

Não vou me apegar aos clichês do próprio complexo em si, mas do que cada virgula da tragédia apresenta sobre o inconsciente, aliás, vejo claramente a representação do ID, EGO e SUPEREGO na tragédia, quem ainda não entendeu a diferença básica entre os três posso explicar assim:

1) ID: Édipo matar Laio - impulso, não se pensa apenas se age
2) EGO: Ele matou o próprio pai, mas não sabe disso, então justifica seu ato pelo desconhecimento de uma informação
3) SUPEREGO: Édipo, se pune por ter desposado a mãe, ter tido com ela filhos, ele fura os próprios olhos e Jocasta suicida-se...

Enfim, o destino se cumpriu...

Leiam a tragédia, mas agora com essa visão psicanalítica, fica bem mais legal rsrsr

OBS: Quero deixar claro que aqui são ideias minhas, se alguém quiser comentar, estou aberta, mesmo que seja uma ideia contraria, sera bem vindo o debate.