quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cisne Negro: "conhece-te a ti mesmo"


Sim, eu assumo, só agora assisti ao Cisne Negro, após várias indicações finalmente me rendi, e já me perguntei milhares de vezes; "como não assisti antes??!!", ainda estou impactada com tudo que vi, com tudo que senti, e principalmente com as interpretações que ainda pairam em minha mente... Milhares delas, nem uma pode ser considerada certa, única ou mesmo fixa, tudo é um movimento constante, uma queda vertiginosa, ou uma ascensão apoteótica... Depende de onde você se colocou, em que parte da "platéia" você estava no momento em que parou para refletir, a maravilha fascinante da ousadia...

Ainda não tenho uma opinião formada, mas várias interpretações povoam meu imaginário, uma delas vai além do que nós, estudantes de Psicologia, estudamos em Psicopatologia, muito além da fina camada entre a loucura e a realidade.

Por várias vezes me perguntei o que era real, desconfio que nem a mãe da bailarina Nina realmente existia, vejo a "bailarina que nunca saiu do corpo de baile" como o superego repressor da menina ingênua, uma menina que cobrava por perfeição de um Id tão reprimido que "ansiava" por vida.

O cisne branco representava a realidade que tanto sufocava Nina, a mantinha presa em um mundo infantil, em um mundo que mesmo em sua instabilidade emocional a jovem bailarina ainda que dentro de sua loucura conseguia controlar.

O cisne negro, representava o auge de sua perfeição, o auge de tudo aquilo que ela buscava mas não tinha coragem de assumir, era enfim a famosa válvula de escape de um Id sufocado, ela então se tornava enfim a mulher que tanto buscou ser, nítido seu sofrimento de transição, crescer dói, tornar-se responsável por si mais ainda.

Com um final surpreendente, em minha leiga interpretação só ficou uma interpretação, o único momento de realidade de Nina, foi quando enfim, se deparou com a sua sublime perfeição...


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Não seja camaleão...

Em meus passeios pelo Facebook, me deparei com uma frase que me fez refletir de uma forma contrária ao que se propunha: "às vezes a gente se cansa de alguma peça de roupa, mas pensa que poderia voltar a amá-la se pudesse apenas trocar a sua cor..." (Infelizmente, anotei a frase e não de onde tirei, então quem souber me avisa), o caso é, a frase fala de roupa, eu vou falar de pessoas...

Complicado quando se fala de algo tão importante, pois quando se fala de alguém, não se fala da pessoa em si, mas de sua essência, e assim como o camaleão, cada um troca de capa para se proteger...

Refletir, reformular, mudar, vira um jogo, joga-se com a proteção, com o não revelar-se, joga-se com o ser aceito em uma sociedade, agir de uma forma para ser aceito, achando que isso é normal, por amor o ser humano muda, mas por amor também se aceita o outro como é...

Um camaleão, como já disse, troca de cor para se proteger, então como já disse Sartre, "o importante não é o que fazem com você, mas o que você faz com o que fazem de você", supere, seja a sua essência, sem se importar com a cor que ela tem, afinal alguns gostam de azul, outros de amarelo, e mais um punhado de cores ai que fazem a diferença...



quarta-feira, 11 de julho de 2012

Maravilhosa Mágica


Buscam tantas explicações a partir de desconfianças que fica complicado saber o que é do seu, o que é do outro, o ser humano não se conhece nada sabe de si mesmo, mas partindo da intuição deduz, sofre, fica feliz, engana, se engana...

Hoje se faz tempestades internas por pequenas deduções, e mesmo sendo a dor inevitável e o sofrimento opcional, a dinâmica do ser humano é essa, sofrer por antecipação, por uma imagem, um som, um gesto, tudo machuca, tudo destrói, e então a depressão torna-se enfim o mal do século.

Quem nunca quis ser outra pessoa em um momento de dor? Desconectar-se de si mesmo, desintegrar-se, morrer ou mesmo matar, quando se pensa que já se sabe de tudo...

Olhe a sua volta, e veja quantas pessoas buscam a felicidade total, buscam o amor eterno e perfeito, sem se darem conta que tudo isso é uma mera utopia, e nessa busca, perdem a simplicidade de um dia ensolarado, vento nos cabelos, o abraço de quem se sente saudade, não se valorizam os pequenos milagres, e isso torna valido e mais importante o vazio de um copo meio vazio que a positividade de um copo meio cheio.

Sim, Guimarães Rosa estava certo quando disse; "Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa...", o que ele não disse explicitamente foi: não fundamente sua vida no apenas desconfiar, nem apenas no sentir, mas no simples carinho de se auto conhecer, maravilhosa mágica...

O laço e o nó

Em uma outra postagem falei de laços, das maravilhas de desatar laços, da beleza e das surpresas "desatadas" pelos laços...

Mas me deparei com uma frase essa semana de um autor que amo (Assis Veloso): "menina, menina, era para ser um laço não um nó!", que me deixou pensativa, cada um dificulta sua vida, sua dor, seus pensamentos de um jeito todo especial.

Sim, esse ato de complicar torna cada um escravo de um "nó", cada vez mais firme, apertado, dificil de desatar... Não penso que isso seja tão ruim assim todas as vezes, (sim, eu vejo sempre um lado positivo das coisas, como diz um amigo, sou uma pilha com os dois polos positivos), aperta-se quando tentamos desatar no desespero, aperta-se quando tentamos desatar na pressa; complicado, dolorido, cansativo.

Isso me faz lembrar de um trecho de um livro, A arte de restaurar histórias, da Jean Clark, onde ela conta a "tradição da sogra árabe", que ao entrar em contato com a candidata a sua futura nora, lhe dá um novelo emaranhado de linhas para desatar, a função é desatar os nós sem perder a paciencia, e só após isso será digna de se casar com o escolhido...

Pensado nisso, não me remeto apenas ao significado simples, mas lendo as entrelinhas, vejo que a paciencia deve valer para "ser digno" da vida, os nós nos prendem e o desespero toma conta... Como disse meu querido Assis Veloso, não torne laços em nó, apenas viva, com paciencia e tranquilidade, o que é seu o laço embrulha, e para não tornar cada oportunidade em nó, puxe de uma forma delicada e o presente será realmente um presente...

Eu estou desatando os nós que fiz, as coisas que compliquei, vai por mim, a sensação é maravilhosa, desate o nó que te sufoca, e verá que no fim tudo é muito mais simples do que você imagina...

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Fabuloso destino de Amelie Poulain


Em uma conversa com um amigo dia desses, me lembrei da sutileza linda do filme O Fabuloso destino de Amelie Poulain, os simples momentos, as simples delicadezas da vida... Sentir-se isolado mesmo fazendo parte, e nem se dar conta disso...


Sentir prazer em coisas simples, as quais nem sempre nos damos conta, isso me faz lembrar que hoje em dia olho as nuvens e já não vejo mais desenhos, nem paro para tentar ver as sete cores do arco-íris (já tentou contar todas, eu já!), ou como no filme, sentir a sensação de mergulhar a mão em sacas de grãos... Coisas simples, mas tão essenciais a vida...


Sentir que se tem os "ossos de vidro" ((...)"Então, minha querida Amélie, você não tem ossos de vidro. Pode suportar os baques da vida. Se deixar passar essa chance, então, com o tempo, seu coração ficará tão seco e quebradiço quanto meu esqueleto. então, vé em frente, pelo amor de Deus.), e proteger-se é normal, sentir medo da solidão também, o que não se pode é perder o brilho de viver, e nem se resignar como a "menina do copo d'agua", (Pintor: "Ela prefere imaginar uma relação com alguém ausente do que criar laços com aqueles que estão presentes." Amelie: "Hummm, pelo contrário. Talvez faça de tudo para arrumar a vida dos outros." Pintor: "E ela? E as suas desordens? Quem vai pôr em ordem?")


E apesar de serem "tempos difíceis para os sonhadores", não se deixe abater, e muito menos seja o idiota que ando apontam para o "céu olha para a ponta do dedo"... 


PS: Texto em homenagem a um amigo que ao me apresentar o fabuloso destino dessa surreal menina me deu de presente uma sutil delicadeza de ser um pouco Amelie...